De volta ao mainframe

Postado por emerson em 1 dezembro, 2008 guardado em linux, tecnologia

Fonte: Notícia enviada por Ana Ikeda (ana@capitalinformacao.com.br ao site www.resellerweb.com.br
http://www.resellerweb.com.br/voce_informa/interna.asp?cod=3568

por Eduardo Gallo, diretor-executivo da SERVICE IT Solutions

Os mainframes estão de volta! Aliás, estão na moda. Mas não aqueles que rodavam MVS, ocupavam o CPD inteiro e exigiam resfriamento à água.

Refiro-me aos servidores frutos da tendência atual de TI Verde que estão consolidando boa parte do processamento das empresas e que rodam Linux, Unix ou até mesmo Windows. E quem os tem não os chama de mainframe, mas apenas de “servidor principal”.

Quem está no mundo da tecnologia há algum tempo percebe que os conceitos atuais de consolidação e virtualização, pilares básicos da TI verde, remontam à década de 70, quando a IBM criou a VM (Virtual Machine). Esta criação, disseminada com o IBM/370 com o sistema operacional VM, permitia que um único mainframe fosse dividido em vários servidores virtuais independentes um dos outros. Esse recurso possibilitava a maximização da utilização do hardware e a multiplexação do seu uso por várias áreas da empresa ou até mesmo por várias empresas diferentes. Quem precisava e podia ter seu próprio mainframe sugava até a última gota de processamento do seu asset. Outras empresas recorriam aos Bureaus de Serviços, que alugavam as máquinas virtuais para diversos clientes simultaneamente.

Mas a tecnologia da informação virou diferencial competitivo e como o mainframe não era acessível para todos, a indústria criou o Downsizing na década de 90. Era a chance de novos fabricantes irem buscar clientes com seus produtos que rodavam UNIX.

Nesta época o “servidor departamental” começou a se proliferar e se multiplicou muitas vezes até chegar ao CPD, substituindo o mainframe que algumas empresas já possuíam. E eles foram os responsáveis pelo acesso de muitas outras empresas menores à Tecnologia da Informação.

O fato é que em muitas empresas o crescimento desenfreado destes servidores acabou criando outros problemas: utilização ineficiente do hardware, complexidade na administração e heterogeneidade demasiada nos sistemas operacionais. Então, aos poucos, alguns CIOs começaram a juntar estes servidores no mesmo ambiente e a pensar em como otimizar o seu uso.

A primeira iniciativa foi a consolidação. Era necessário diminuir o número de servidores espalhados pela empresa e trazê-los para perto de uma equipe centralizada de administradores.

Em 1999, surgiu a VMware, empresa criada por ex-IBMers que conheciam virtualização e viram na bagunça dos servidores Intel subutilizados a oportunidade de otimizar o processamento com o seu software.

Em 2001, a IBM lançou seu primeiro servidor UNIX com particionamento lógico. O pSeries p690 permitia que até 16 máquinas virtuais, chamadas de LPARs (Logical Partitions), fossem criadas e rodassem simultaneamente o Sistema Operacional AIX ou Linux.

Estava pronta a infra-estrutura necessária para consolidar o ambiente de TI. Empresas atentas aos benefícios da consolidação através da virtualização adotaram rapidamente uma destas alternativas para tornar seus ambientes de TI mais eficientes, reduzir a complexidade e melhorar a administração.

Mas faltava talvez uma força maior que impulsionasse todos os clientes para esta solução. Daí veio a “onda verde”. Começou-se a dar mais importância aos custos de energia elétrica e ao espaço utilizado pelos servidores. Percebeu-se que isto era uma componente importante no custo total da área de TI. Soma-se a isso a importância para a natureza de se poupar alguns Kwatts e finalmente todo mundo começa a analisar seus ambientes computacionais e a tentar otimizá-los.

É aí que entra o meu conceito de “mainframe”. Para empresas que possuem até 10 servidores Intel é possível afirmar que cada um tem utilização média de menos de 50% (estudos do IDC e Gartner dizem que a utilização varia entre 5 e 15%). Se eles tiverem entre dois e cinco anos, devem ter processadores de 2 GHz. Isso significa que este cliente usa 10 GHz de processamento (10 servidores x 2 GHz x 50% de utilização). Ele estaria apto a comprar um “mainframe”.

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